Editorial


A gravidade das gratuidades

Em algum momento da história recente, decidiu-se conceder transporte público gratuito
aos brasileiros maiores de 65 anos de idade.

Em outros momentos, e em vários casos distintos, deficientes e acompanhantes, estudantes e outros beneficiários de viagens gratuitas ou com descontos também surgiram nos sistemas de transportes.

Na maioria dos casos não é, ou não foi, indicada a fonte de custeio para essa clientela, e aí o assunto passa a ser sério.

Talvez fosse ideal que houvesse, somado ao fator etário, algum critério social, ou seja, os que realmente precisassem dessa concessão seriam subsidiados, ao menos em parte, pelos pagantes; a outra parte poderia ser custeada pela política pública que a criou, sempre prevendo equilíbrio entre a política social e as operações.

Não se trata, com a presente constatação, de avaliação da medida que beneficia milhões de pessoas, mas sim do que significa e significará tais benefícios para os sistemas de transportes, não só por ônibus. Note que não me refiro aos operadores – públicos ou privados – mas sim aos sistemas.

O assunto está longe de se esgotar, e o alarme soa cada vez mais alto.

Conforme se pode ver no gráfico abaixo, a inversão da pirâmide etária ao longo do tempo, que não é um fenômeno de São Paulo ou do Brasil, mas sim mundial na maioria dos casos, evidencia que temos que nos preocupar seriamente com esse imenso crescimento dos cidadãos mais maduros e com seus impactos nas concessões de qualquer espécie.

Alguém tem que pagar a conta, e não se pode esperar situações limite para as ações.

Vamos refletir sobre essa imagem; vamos refletir sobre as nossas responsabilidades no que concerne ao impacto de gratuidades e benefícios diversos nos sistemas de transporte.

Robson Rodrigues

Presidente